Prova · UFSC 2026

Prova UFSC 2026: questões por disciplina

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UFSC2026Prova 1Questao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Ana Maria Gonçalves faz história e é eleita a primeira mulher negra na Academia Brasileira de Letras Por André Bernardo (10/07/2025 – Estadão) 01 Oitenta anos. Esse foi o tempo que a Academia Brasileira de Letras levou, desde a sua 02 fundação, em 20 de julho de 1897, para eleger a primeira mulher. A escolhida foi a jornalista e escritora 03 cearense Rachel de Queiroz no dia 4 de agosto de 1977. 04 Quarenta e oito anos depois, em 10 de julho de 2025, a ABL elegeu a primeira mulher negra: a 05 escritora, dramaturga e roteirista mineira Ana Maria Gonçalves. A autora de Ao lado e à margem do 06 que sentes por mim (Independente, 2002) e Um defeito de cor (Record, 2006) disputou a vaga com 07 outros 13 candidatos: dez homens e três mulheres. Ela recebeu 30 dos 31 votos de acadêmicos. 08 “Além de ser um motivo para comemorar, é também um motivo para nós começarmos a pensar 09 o que significam esses primeiros, esses únicos. Numa sociedade brasileira onde as mulheres negras 10 são a maioria do estrato social, por que só agora?”, refletiu Ana Maria. 11 O que representa para a literatura brasileira ter uma escritora negra na ABL? 12 “Sempre digo que, para uma escritora negra, reparação é ser reconhecida e exaltada em vida. 13 Logo, ter uma de nós ocupando uma cadeira da ABL é de extrema importância, pois reforça a 14 necessidade de olhar para a produção intelectual e o resgate da memória de quem sempre esteve na 15 base desse País”, afirma a poeta e compositora Mel Duarte. 16 O que representa para a literatura brasileira ter uma escritora negra na ABL? “Prefiro alterar a 17 pergunta: o que representa para a ABL a eleição de uma escritora negra?”, responde Vanessa Ribeiro 18 Teixeira, doutora em Letras pela UFRJ. 19 “No momento presente, reduz-se a distância entre a produção literária do nosso tempo e a 20 casa institucional que deveria contemplá-la. Numa perspectiva histórica, reconhece-se, finalmente, o 21 lugar de destaque devido à escrita de mulheres negras, herdeiras de Maria Firmina dos Reis, 22 considerada a primeira romancista negra não só do Brasil, mas da América Latina”, afirma Teixeira, 23 referindo-se à autora do romance Úrsula (1853). 24 Conceição Evaristo também já concorreu 25 Não foi a primeira vez que uma escritora negra concorreu a uma vaga na ABL. No dia 30 de 26 agosto de 2018, a escritora mineira Conceição Evaristo tentou se eleger, mas não conseguiu. Evaristo 27 obteve um único voto. 28 De nada adiantaram, entre outras iniciativas populares, a campanha no antigo Twitter usando a 29 hashtag #ConceiçãoEvaristonaABL e uma petição online com 40 mil assinaturas. 30 “Minha personalidade é rancorosa demais para perdoar o que fizeram: é como se tivessem 31 rejeitado a minha avó. Mesmo depois da eleição do Gil, meu coração não se acalmou”, admite a 32 jornalista e escritora Ana Paula Lisboa. 33 ‘Não é cota’ 34 “A eleição de Ana Maria Gonçalves não é cota, muito menos favor. É um lugar digno de uma 35 escritora que tem um dos livros mais importantes da literatura brasileira”, prossegue a autora. “A ABL 36 precisa mais da Ana Maria Gonçalves do que a Ana Maria Gonçalves precisa da ABL.” 37 “Setores majoritários da ABL podem tentar se manter alheios aos grandes debates que clamam 38 por transformações sociais, mas seria de bom alvitre nos responder: por que Ana Maria Gonçalves, 39 provavelmente, foi convidada, e a candidatura de Conceição Evaristo foi rechaçada? Por que Gilberto 40 Gil pode ser membro da ABL e Martinho da Vila, não? Merecemos respostas”, pondera a escritora 41 Cidinha da Silva. 42 A trajetória de Ana Maria Gonçalves 43 “Não queremos que a eleição da Ana Maria Gonçalves seja um ‘cala-boca racializado’. 44 Queremos mais escritoras negras naquele espaço de notoriedade positiva e em todos os outros, não 45 apenas uma”, enfatiza Cidinha da Silva. “Representatividade é importante, porque, quando vejo uma 46 pessoa igual a mim em lugares de poder, de comando, de status sociopolítico e cultural reconhecido e 47 valorizado, penso que eu e pessoas parecidas comigo também podem ocupar e desfrutar desses 48 espaços”, prossegue. 49 “A trajetória literária e social de Ana Maria Gonçalves como mulher negra e escritora entrelaça 50 dois marcadores sociais que, historicamente, se converteram em tabus para a ABL: o gênero e a raça, 51 evitados, tanto quanto possível, sob a justificativa de que a instituição seria um espaço neutro e 52 refratário a ditos ‘proselitismos’”, afirma Michele Asmar Fanini, doutora em Sociologia pela USP e 53 autora da tese Fardos e fardões – Mulheres na Academia Brasileira de Letras. 54 A jornalista, escritora e roteirista Eliana Alves Cruz concorda. “Ter uma autora negra ali não é 55 nada. Meu medo é que a instituição passe o ferrolho para outras autoras negras depois que a Ana 56 Maria Gonçalves entrar. Não podemos esquecer que o B de ABL é de Brasil”, avisa a autora de Água 57 de barrela (Malê, 2018), O crime do Cais do Valongo (Malê, 2018) e Solitária (Companhia das Letras, 58 2022). 59 “Quanto mais plural, melhor”, acrescenta Eliana Alves Cruz. “É espantoso que, em 2025, ainda 60 tenhamos uma instituição tão majoritariamente branca e masculina. Falta muita gente ali. Por que não 61 preencher aquelas cadeiras com outras formas de pensar, de narrar, de falar? Seria bonito se a gente 62 tivesse o Brasil representado na ABL”, finaliza. Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/ana-maria-goncalves-faz-historia-e-e-eleita-a-primeira-mulher-negra-na-academia-brasileira-de- letras. [Adaptado]. Com base no texto 1, é correto afirmar que:
  1. 01)a ABL levou 48 anos, desde a sua fundação, para eleger a primeira mulher negra.
  2. 02)Ana Maria Gonçalves problematiza o significado do pioneirismo e o peso da representatividade negra.
  3. 04)em “A eleição de Ana Maria Gonçalves não é cota, muito menos favor” (linha 34), defende-se a necessidade de que seja pensado um sistema de cotas para a ABL.
  4. 08)o texto tem caráter expositivo-argumentativo e expressa posicionamentos por meio dos recortes de fala apresentados.
  5. 16)Mel Duarte (linhas 11-15) sente-se representada pela condição autoral e racial de Ana Maria Gonçalves.
  6. 32)a socióloga Michele Fanini afirma que a Academia Brasileira de Letras é um espaço neutro no debate sobre raça e gênero.
  7. 64)a expressão “passe o ferrolho” (linha 55) significa ‘a ABL se fechar para escolhas futuras de outras autoras negras’.
UFSC2026Prova 2Questao 1HistóriaDitadura Militar no BrasilMedia
Leia os textos a seguir. Texto 1 No dia 3 de abril de 1964, um grupo de pessoas depredou e incendiou uma livraria no centro da cidade de Florianópolis. O escritor Salim Miguel, que havia sido proprietário da livraria, assim descreveu o acontecimento: Rubras as chamas balouçam, fagulhas explodem, batida pela aragem a negra fumaça se eleva, lambe folhas de arbustos, pessoas assustadas recuam, olhares pasmos diante do que ocorre. Centenas de livros dos mais variados gêneros e procedências, tendências e colorações continuam chegando, são atirados à fogueira. Ainda se pode entrever: lado a lado ali estão, folhas se confundindo-consumindo, O capital de Karl Marx e A capital do Eça de Queirós, O vermelho e o negro de Stendhal e Seara vermelha do Jorge Amado, O alienista de Machado de Assis e Memórias do cárcere do Graciliano Ramos, O príncipe de Maquiavel e Pinocchio do Collodi, todos sem dúvida subversivos. Faz pouco a porta da livraria foi arrombada. Com furor e ódio, aos berros de fogo-fogo, os livros vão sendo arrancados das prateleiras da livraria Anita Garibaldi – nome também altamente subversivo. Poucos passos até aquela esquina entre a rua Conselheiro Mafra e a praça XV de Novembro, pleno centro de Florianópolis, e os volumes vêm alimentar a fogueira. Circulando em torno dela, os incendiários trocam palavras de ordem, comandam, provocam, açulam, buscam incentivar os que ali se detêm para que participem, vamos, ajudem a trazer mais livros. Atraídos pelas chamas, pela fumaça, pelos estalidos, por gritos e acenos constantes de andem, carreguem, joguem tudo no fogo, rápido, não deve sobrar nada deste lixo. MIGUEL, S. Primeiro de abril: narrativas da cadeia. Florianópolis: EdUFSC, 2025. p. 47. Texto 2 Em entrevista a um jornal, um dos envolvidos no episódio, o historiador Nereu Pereira, assim relatou o que aconteceu no dia 3 de abril de 1964: Acho que foi um equívoco histórico que podia ter sido evitado, mas a livraria era um centro de difusão de ideias marxistas, contra os interesses do Brasil. [...] Comecei o discurso, para criar o ambiente, e um colega nosso, ex-comunista, deu início ao incêndio dos livros. São embates políticos e ideológicos que deixam marcas, mas que não duram a vida toda. No entanto, eu faria tudo de novo. ‘Ninguém conhece mais a Ilha do que eu’: Nereu Pereira, a ‘memória viva’ de Florianópolis. Jornal ND+. Florianópolis, 4 jun. 2023. Disponível em: https://ndmais.com.br/cultura/ninguem-conhece-mais-a-ilha-do-que-eu-nereu-pereira-a-memoria-viva-de-florianopolis. Com base nos textos e no contexto histórico da época, é correto afirmar que:
  1. 01)a depredação da livraria Anita Garibaldi e a queima dos livros aconteceram logo após o golpe militar que derrubou o presidente João Goulart.
  2. 02)os textos 1 e 2 demonstram que o golpe que instaurou a ditadura no Brasil (1964-1985) contou com o apoio de parte da sociedade civil.
  3. 04)a principal pauta do governo de João Goulart eram as reformas de base, um conjunto de medidas nacionalistas que previam a intervenção do Estado na economia e maior controle dos investimentos estrangeiros no país.
  4. 08)o texto 2 demonstra que foram os comunistas que incendiaram a livraria Anita Garibaldi.
  5. 16)tanto o livro de Salim Miguel quanto a entrevista de Nereu Pereira não podem ser consideradas fontes históricas, visto que são relatos parciais sem a objetividade e a neutralidade necessárias para um documento histórico.
  6. 32)os textos 1 e 2 concordam com a queima dos livros, pois argumentam que eram subversivos, ou seja, contra os interesses do Brasil.
  7. 64)os opositores de Jango insuflaram “o furor e o ódio” da população ao afirmar que as reformas de base seriam sinônimo de “comunização” do Brasil.
UFSC2026Prova 2Questao 2HistóriaPeríodo Regencial e revoltas (1831-1840)Media
Leia o texto abaixo. Guerras e batalhas brasileiras Uma Guerra pode ter várias motivações. Enquanto alguns lutam por causas coletivas, como a independência política, outros se entregam a necessidades muito mais básicas e imediatas. Como terra, comida e direito de viver “no mato”. No turbulento período regencial – entre a abdicação de D. Pedro I (1831) e a maioridade de D. Pedro II (1840) –, vários conflitos sangrentos sacudiram o país. Boa parte deles consagrada nos livros didáticos [...]. CARVALHO, M. J. M. Sangue no mato. In: Guerras e batalhas brasileiras. Coleção Revista de História no Bolso. Org. Luciano Figueiredo. Sobre as revoltas que eclodiram no Brasil durante o período regencial (1831-1840) e seus desdobramentos, é correto afirmar que:
  1. 01)a Guerra de Canudos (1832-1838), movimento popular liderado pelo beato Antônio Conselheiro no sertão da Bahia, reuniu milhares de fiéis em luta pela terra e pelo retorno do imperador Dom Pedro I, tornando-se um símbolo do messianismo no Brasil.
  2. 02)a Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador (BA) em 1835, contou com a participação de centenas de escravizados e ex-escravizados originários de regiões da África que haviam sido convertidas ao islamismo.
  3. 04)a Balaiada foi uma revolta de caráter elitista deflagrada na província de Pernambuco que, com a liderança de Frei Caneca, proclamou uma República independente no Nordeste brasileiro após atritos com o governo regencial em função do aumento dos impostos sobre a produção de açúcar no país.
  4. 08)no atual Rio Grande do Sul, entre 1835 e 1845, irrompeu a Guerra dos Farrapos, movimento de caráter monarquista e expansionista que tinha por objetivo central a recuperação do território da antiga província Cisplatina.
  5. 16)a Sabinada ocorreu em Salvador (BA) entre 1837 e 1838, envolveu pessoas ligadas ao meio urbano e representou, basicamente, uma reação de grupos liberais ao domínio do governo central sobre as províncias.
  6. 32)no Grão-Pará eclodiu a Cabanagem (1835-1840), revolta provocada por divergências entre as elites locais, mas que também contou com a participação ativa das camadas populares, especialmente indígenas, negros e mestiços.
UFSC2026Prova 1Questao 2PortuguêsGramática e Norma CultaDificil
Ana Maria Gonçalves faz história e é eleita a primeira mulher negra na Academia Brasileira de Letras Por André Bernardo (10/07/2025 – Estadão) 01 Oitenta anos. Esse foi o tempo que a Academia Brasileira de Letras levou, desde a sua 02 fundação, em 20 de julho de 1897, para eleger a primeira mulher. A escolhida foi a jornalista e escritora 03 cearense Rachel de Queiroz no dia 4 de agosto de 1977. 04 Quarenta e oito anos depois, em 10 de julho de 2025, a ABL elegeu a primeira mulher negra: a 05 escritora, dramaturga e roteirista mineira Ana Maria Gonçalves. A autora de Ao lado e à margem do 06 que sentes por mim (Independente, 2002) e Um defeito de cor (Record, 2006) disputou a vaga com 07 outros 13 candidatos: dez homens e três mulheres. Ela recebeu 30 dos 31 votos de acadêmicos. 08 “Além de ser um motivo para comemorar, é também um motivo para nós começarmos a pensar 09 o que significam esses primeiros, esses únicos. Numa sociedade brasileira onde as mulheres negras 10 são a maioria do estrato social, por que só agora?”, refletiu Ana Maria. 11 O que representa para a literatura brasileira ter uma escritora negra na ABL? 12 “Sempre digo que, para uma escritora negra, reparação é ser reconhecida e exaltada em vida. 13 Logo, ter uma de nós ocupando uma cadeira da ABL é de extrema importância, pois reforça a 14 necessidade de olhar para a produção intelectual e o resgate da memória de quem sempre esteve na 15 base desse País”, afirma a poeta e compositora Mel Duarte. 16 O que representa para a literatura brasileira ter uma escritora negra na ABL? “Prefiro alterar a 17 pergunta: o que representa para a ABL a eleição de uma escritora negra?”, responde Vanessa Ribeiro 18 Teixeira, doutora em Letras pela UFRJ. 19 “No momento presente, reduz-se a distância entre a produção literária do nosso tempo e a 20 casa institucional que deveria contemplá-la. Numa perspectiva histórica, reconhece-se, finalmente, o 21 lugar de destaque devido à escrita de mulheres negras, herdeiras de Maria Firmina dos Reis, 22 considerada a primeira romancista negra não só do Brasil, mas da América Latina”, afirma Teixeira, 23 referindo-se à autora do romance Úrsula (1853). 24 Conceição Evaristo também já concorreu 25 Não foi a primeira vez que uma escritora negra concorreu a uma vaga na ABL. No dia 30 de 26 agosto de 2018, a escritora mineira Conceição Evaristo tentou se eleger, mas não conseguiu. Evaristo 27 obteve um único voto. 28 De nada adiantaram, entre outras iniciativas populares, a campanha no antigo Twitter usando a 29 hashtag #ConceiçãoEvaristonaABL e uma petição online com 40 mil assinaturas. 30 “Minha personalidade é rancorosa demais para perdoar o que fizeram: é como se tivessem 31 rejeitado a minha avó. Mesmo depois da eleição do Gil, meu coração não se acalmou”, admite a 32 jornalista e escritora Ana Paula Lisboa. 33 ‘Não é cota’ 34 “A eleição de Ana Maria Gonçalves não é cota, muito menos favor. É um lugar digno de uma 35 escritora que tem um dos livros mais importantes da literatura brasileira”, prossegue a autora. “A ABL 36 precisa mais da Ana Maria Gonçalves do que a Ana Maria Gonçalves precisa da ABL.” 37 “Setores majoritários da ABL podem tentar se manter alheios aos grandes debates que clamam 38 por transformações sociais, mas seria de bom alvitre nos responder: por que Ana Maria Gonçalves, 39 provavelmente, foi convidada, e a candidatura de Conceição Evaristo foi rechaçada? Por que Gilberto 40 Gil pode ser membro da ABL e Martinho da Vila, não? Merecemos respostas”, pondera a escritora 41 Cidinha da Silva. 42 A trajetória de Ana Maria Gonçalves 43 “Não queremos que a eleição da Ana Maria Gonçalves seja um ‘cala-boca racializado’. 44 Queremos mais escritoras negras naquele espaço de notoriedade positiva e em todos os outros, não 45 apenas uma”, enfatiza Cidinha da Silva. “Representatividade é importante, porque, quando vejo uma 46 pessoa igual a mim em lugares de poder, de comando, de status sociopolítico e cultural reconhecido e 47 valorizado, penso que eu e pessoas parecidas comigo também podem ocupar e desfrutar desses 48 espaços”, prossegue. 49 “A trajetória literária e social de Ana Maria Gonçalves como mulher negra e escritora entrelaça 50 dois marcadores sociais que, historicamente, se converteram em tabus para a ABL: o gênero e a raça, 51 evitados, tanto quanto possível, sob a justificativa de que a instituição seria um espaço neutro e 52 refratário a ditos ‘proselitismos’”, afirma Michele Asmar Fanini, doutora em Sociologia pela USP e 53 autora da tese Fardos e fardões – Mulheres na Academia Brasileira de Letras. 54 A jornalista, escritora e roteirista Eliana Alves Cruz concorda. “Ter uma autora negra ali não é 55 nada. Meu medo é que a instituição passe o ferrolho para outras autoras negras depois que a Ana 56 Maria Gonçalves entrar. Não podemos esquecer que o B de ABL é de Brasil”, avisa a autora de Água 57 de barrela (Malê, 2018), O crime do Cais do Valongo (Malê, 2018) e Solitária (Companhia das Letras, 58 2022). 59 “Quanto mais plural, melhor”, acrescenta Eliana Alves Cruz. “É espantoso que, em 2025, ainda 60 tenhamos uma instituição tão majoritariamente branca e masculina. Falta muita gente ali. Por que não 61 preencher aquelas cadeiras com outras formas de pensar, de narrar, de falar? Seria bonito se a gente 62 tivesse o Brasil representado na ABL”, finaliza. Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/ana-maria-goncalves-faz-historia-e-e-eleita-a-primeira-mulher-negra-na-academia-brasileira-de- letras. [Adaptado]. Com base no texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)as aspas duplas empregadas no texto estão demarcando trechos de discurso direto.
  2. 02)no título da matéria, o tempo presente nas formas verbais “faz” e “é” é empregado como um recurso para marcar que os eventos estão em curso no momento da narrativa.
  3. 04)as formas verbais “admite” (linha 31), “pondera” (linha 40), “enfatiza” (linha 45) e “avisa” (linha 56) atuam como verbos que introduzem e/ou comentam as falas citadas.
  4. 08)os dois-pontos (linhas 07 e 38) exercem a mesma função: a de introduzir um novo referente.
  5. 16)a ocorrência de crase (linha 23) resulta de regência verbal.
  6. 32)na forma verbal “contemplá-la” (linha 20), o pronome posposto ao verbo está se referindo à expressão “a casa institucional” (linhas 19 e 20).
  7. 64)a expressão “o que fizeram” (linha 30) refere-se à campanha para que Conceição Evaristo fosse eleita para a Academia Brasileira de Letras.
UFSC2026Prova 2Questao 3HistóriaIntervenções dos EUA na América LatinaMedia
Loris Zanatta assim descreveu a atuação dos Estados Unidos em regiões do Caribe no final do século XIX e que se estendeu durante o século XX: Assim o Caribe, de lago europeu, tornou-se um lago americano, realizando um antigo sonho estadunidense de exercer o controle sobre a região e, com isso, garantir a segurança das suas fronteiras meridionais. ZANATTA, L. Uma breve história da América Latina. São Paulo: Cultrix, 2017. p. 96. Sobre o trecho citado e a atuação dos Estados Unidos na América Latina, é correto afirmar que:
  1. 01)os Estados Unidos estimularam a luta pela independência de nacionalistas panamenhos contra a Colômbia e, em troca, foram beneficiados com o direito de construir um canal interoceânico, o Canal do Panamá.
  2. 02)a Operação Condor, um acordo de colaboração entre as ditaduras do Cone Sul, foi feita à revelia dos Estados Unidos, que pressionavam os governantes de Brasil, Argentina e Chile para a adoção de regimes democráticos e liberais, em consonância com os princípios capitalistas.
  3. 04)a política do Big Stick foi um conjunto de medidas por parte de governos estadunidenses com o objetivo de intervir diplomática e militarmente nos territórios da América Latina, principalmente no Caribe e na América Central.
  4. 08)durante o governo de Salvador Allende no Chile, os Estados Unidos realizaram operações de desestabilização do regime suspendendo créditos e apoiando setores militares insatisfeitos com o governo.
  5. 16)os Estados Unidos atuaram nos países latino-americanos em função da preocupação em salvaguardar a segurança de suas fronteiras.
  6. 32)os Estados Unidos impuseram uma emenda à Constituição da Cuba recém-independente a qual dava àqueles o direito de atuar militarmente na ilha caribenha em caso de “instabilidade interna”.
UFSC2026Prova 1Questao 3PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Dificil
Solitária Fragmento 1 Cozinha 01 Hoje penso por quantos séculos uma mulher mais velha como minha mãe teve que consolar outra mais 02 nova por prantos parecidos e naquele mesmo espaço, a cozinha, dizendo aquelas mesmas palavras. 03 – Você não teve culpa. Calma, minha criança. Calma, minha menina... 04 Ela sabia que as crianças como eu – como ela foi e, antes dela, a sua mãe, e a mãe de sua mãe até a 05 minha décima avó – não entendiam muito bem o que era isso de ser criança. A gente sempre foi 06 miniatura de adulto. Irene era mais uma na lista. (p. 26) Fragmento 2 Área de serviço 07 Hoje fico com pena do sacrifício que era se tornar invisível. Além dos espaços apertados que 08 ocupávamos, o silêncio era um companheiro. Era preciso estar presente sem estar. Uma boa serviçal é 09 silenciosa, e a criança que é a filha dessa mulher também deve ser. Ela não pode rir como uma 10 criança, não pode pular ou fazer travessuras como uma criança. Ela não é uma criança. É um 11 incômodo, alguém apenas tolerado [...] 12 No final eles [Mabel e Cacau] já estavam acostumados. Já tinham o “dom da invisibilidade”. Já sabiam 13 como estar sem deixar ninguém se aperceber de que estavam. (p. 97) CRUZ, Eliana Alves. Solitária. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. Com base nos fragmentos do texto 2, na leitura integral de Solitária, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)os fragmentos 1 e 2 de Solitária têm em comum a reflexão sobre a infância precarizada decorrente de uma condição social desfavorecida.
  2. 02)o termo “Hoje”, nos dois fragmentos, presentifica os momentos em que Mabel e Eunice, cada uma a seu tempo, narram a história.
  3. 04)a novela é marcada pelo realismo contemporâneo, uma vez que a história de Eunice se repete do início ao fim na pele de Mabel.
  4. 08)na expressão “estar presente sem estar” (linha 08) há um paradoxo que compromete o sentido da narrativa das memórias de Eunice.
  5. 16)o uso recorrente do advérbio “já” (linha 12) reforça que as habilidades descritas estavam desenvolvidas nas crianças no momento da narrativa.
  6. 32)a obra tematiza a relação interseccional entre classe, raça e gênero.
UFSC2026Prova 2Questao 4HistóriaQuestão agrária no BrasilMedia
Leia o texto abaixo. Questão agrária, uma herançа соmum Um simples olhar atual sobre a América Latina, com seus inúmeros conflitos – tais como a guerra dos índios zapatistas mexicanos, as lutas camponesas na Guatemala e El Salvador ou a maré montante do Movimento dos Sem-Terra, no Brasil –, nos mostraria a importância, e a urgência, das questões relativas à posse e uso da terra no continente. Se voltarmos um pouco na história poderíamos mesmo acreditar, como muitos o fazem, que a questão agrária na América Latina é um nó indeslindável, uma dessas taras ou doenças que afligem sociedades que começaram mal e cujos homens com responsabilidade política nada, ou quase nada, fizeram para corrigir. As origens do atraso e da desigualdade residiriam ora na origem colonial e no caráter do colonizador – principalmente quando ibérico, português ou espanhol –, ora no caráter da própria colonização. LINHARES, M. Y.; SILVA, F. C. T. Terra prometida: uma história da questão agrária no Brasil. Rio de Janeiro: A respeito do texto e da questão da terra no Brasil e na América Latina, é correto afirmar que:
  1. 01)segundo os autores do texto, a responsabilidade pelas desigualdades nas estruturas agrárias do Brasil e da América Latina está atrelada exclusivamente aos modelos de colonização adotados.
  2. 02)segundo os autores do texto, os problemas estruturais da questão agrária latino-americana estão diretamente relacionados à atuação descontrolada de movimentos sociais camponeses como os zapatistas no México, as Ligas Camponesas na América Central e o MST no Brasil.
  3. 04)o processo de privatização das terras no Brasil foi desencadeado no século XVI com a distribuição de capitanias hereditárias entre a nobreza lusitana e a venda das chamadas “Sesmarias de terras”, documento que estabelecia a propriedade privada da terra no Brasil.
  4. 08)a Guerra do Contestado (1912-1916), ocorrida em território catarinense, está relacionada à construção de uma ferrovia, ao estabelecimento da indústria madeireira na região e à formação de um movimento social de luta pela terra e de caráter messiânico.
  5. 16)a Lei de Terras, assinada em 1950 pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, tornou-se um grande marco na reestruturação agrária brasileira com a adoção efetiva de medidas direcionadas ao estabelecimento de uma reforma agrária no Brasil.
  6. 32)entre as décadas de 1950 e 1960, as Ligas Camponesas tiveram atuação intensa, principalmente na região Nordeste, com o objetivo de organizar os trabalhadores rurais para lutar por melhores condições de vida, direitos trabalhistas e, sobretudo, pela reforma agrária no Brasil.
UFSC2026Prova 1Questao 4PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Silêncio 01 Língua das coisas 15 Toda fala nasce com a cicatriz do silêncio, 16 que foi quebrado 02 Mas também: língua de se falar 03 com as coisas 17 Não há palavra que não seja marcada pelo silêncio 04 e com as próprias palavras 18 como camisas que secaram 19 presas ao varal 05 O nome das coisas 06 quando não falamos delas 20 Por outro lado, frequentemente o silêncio 21 vem manchado por uma palavra 07 Único modo que têm os mortos 22 como um espelho sujo 08 de cantar 23 A forma mais próxima do silêncio é o círculo: 09 O que há entre uma xícara e outra xícara 24 forma geométrica da espera 10 entre uma pedra e uma rosa 11 entre Vênus e uma cadeira 25 O rastro que deixou 26 o animal que não passou 12 O modo como soa 13 uma palavra 27 É este o meu nome 14 riscada 28 quando não me chamas MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo: Companhia das Letras, 2021. p. 61-62. Com base no texto 3 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)nos dois últimos versos, a autora utiliza a ordem direta na construção da frase, de modo a evitar a ambiguidade.
  2. 02)o eu lírico faz uma comparação entre as marcas do silêncio sobre as palavras e as marcas deixadas em camisas presas no varal.
  3. 04)a expressão “Por outro lado” (verso 20) é utilizada para contrastar duas afirmações sobre a relação entre o silêncio e a palavra.
  4. 08)em “Toda fala nasce com a cicatriz do silêncio, / que foi quebrado” (versos 15 e 16), a vírgula marca a introdução de uma oração restritiva sobre o silêncio e o que a fala causou.
  5. 16)o poema traz uma série de definições de “silêncio”, como “língua das coisas” (verso 01) e “O nome das coisas / quando não falamos delas” (versos 05 e 06).
UFSC2026Prova 2Questao 5HistóriaAlemanha: unificação e Guerras MundiaisMedia
Leia o texto abaixo. Os alemães Para muitos alemães, a derrota de 1918 foi uma experiência inesperada e altamente traumática. Atingiu um ponto sensível no habitus nacional e foi sentida como um regresso ao tempo da fraqueza alemã, dos exércitos estrangeiros no país, de uma vida de sombra de um passado mais grandioso. Estava em risco todo o processo de recuperação da Alemanha. Muitos membros das classes média e superior alemãs – talvez a grande maioria – sentiram que não poderiam viver com tamanha humilhação. Concluíram que deviam preparar-se para a guerra seguinte, com melhores chances de uma vitória alemã, mesmo que, no começo, não estivesse claro como isso poderia ser feito. ELIAS, N. Os alemães: a luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos XIX e XX. São Paulo: Zahar, 1997. Sobre o texto acima e a história do povo alemão, é correto afirmar que:
  1. 01)a expressão “regresso ao tempo de fraqueza” diz respeito à derrota alemã na Guerra FrancoPrussiana de 1871, que impediu a consolidação do Império Alemão no século XIX.
  2. 02)a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial atingiu de forma sensível o sentimento nacionalista e impactou diretamente a mobilização para uma nova guerra.
  3. 04)fundado durante o período medieval após a fragmentação do Império Carolíngio, o Sacro Império Romano-Germânico é considerado o Primeiro Reich alemão e durou até o início do século XIX, quando foi derrotado pelo exército napoleônico.
  4. 08)a unificação alemã no século XIX foi liderada pelo Reino da Prússia e consolidada após a vitória sobre os franceses e a anexação de Alsácia e Lorena, determinando a formação do Império Alemão ou Segundo Reich.
  5. 16)na Alemanha, a ascensão do Partido Nazista e a posse de Adolf Hitler ao cargo de chanceler, em 1932, deram início à chamada República de Weimar, também conhecida como Terceiro Reich.
  6. 32)com o fim da Segunda Guerra Mundial e a derrota alemã, as potências vencedoras assinaram o Tratado de Versalhes, que dividiu a Alemanha em quatro áreas de influência – uma estadunidense, uma francesa, uma soviética e uma chinesa. Por fim, as duas primeiras formaram a Alemanha Ocidental e as duas seguintes, a Alemanha Oriental.
UFSC2026Prova 1Questao 5PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Laerte Poeminho do Contra Mario Quintana Todos esses que aí estão Atravancando meu caminho, Eles passarão... Eu passarinho! QUINTANA, Mario. Poeminho do Contra. In: Poemas para ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. Disponível em: www.laerte.art.br. Com base nos textos 4 e 5 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
  1. 01)o texto 4 estabelece uma relação de intertextualidade com o texto 5.
  2. 02)ambos exploram o tema da liberdade e resiliência diante dos obstáculos da vida.
  3. 04)o terceiro verso do poema estabelece um jogo de palavras que permite um duplo sentido entre o grau aumentativo de “pássaro” e o verbo “passar” conjugado no futuro do presente do modo indicativo.
  4. 08)a oposição entre “passarão” e “passarinho” (textos 4 e 5) aponta para o fato de os problemas referentes a “Eles” serem grandiosos; e os referentes ao eu lírico, pequenos.
  5. 16)o texto 5 mantém uma relação de intratextualidade com o texto 4.
UFSC2026Prova 1Questao 6PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Dificil
Texto 6 01 – Camaradas! Não podemos ficar quietas no 02 meio dessa luta! Devemos estar ao lado dos 03 nossos companheiros na rua, como estamos 04 quando trabalhamos na fábrica. Temos que lutar 05 juntos contra a burguesia que tira a nossa saúde e 06 nos transforma em trapos humanos! Tiram do 07 nosso seio a última gota de leite que pertence a 08 nossos filhinhos para viver no champanhe e no 09 parasitismo! Nós, à noite, nem força temos para 10 acalentar nossas crianças, que ficam sozinhas e 11 largadas o dia inteiro, ou fechadas em quartos 12 imundos, sem ter quem olhe para elas. Não 13 devemos esquecer a greve com nossos lamentos! 14 Estamos com o pagamento atrasado e chegamos 15 até a passar fome, enquanto nossos patrões que 16 nada fazem vivem no luxo e mandam a polícia nos 17 atacar! Mas não será por isso que haveremos de 18 ser escravas a vida inteira! GALVÃO, Patrícia [Pagu]. Parque industrial. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p. 81. Texto 7 — meme (ver imagem) Com base nos textos 6 e 7, na leitura integral de Parque industrial, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
  1. 01)o subtítulo “Romance proletário”, de Parque industrial, foi uma escolha linguística de Pagu para enfatizar a sua condição social pertencente a uma família de operários.
  2. 02)o meme (texto 7) ironiza a expressão “luta de classes” ao propor um sentido denotativo para uma luta entre patrão e empregado.
  3. 04)no texto 6, a preposição “até” (linha 15) combinada com a forma verbal “chegamos” (linha 14) indica o limite que a situação descrita atingiu.
  4. 08)se infere do meme (texto 7) que o tema da luta de classes, posto em Parque industrial, permanece atual.
  5. 16)Parque industrial narra em estilo modernista o cotidiano de cinco operárias que, com a força do trabalho, superam a pobreza.
  6. 32)no texto 6, a ordem em que as formas verbais “podemos” (linha 01), “devemos” (linha 02) e “temos que” (linha 04) são empregadas marca a progressão da força argumentativa na convocação das mulheres para a luta.
  7. 64)em Parque industrial, a narrativa é apresentada de forma linear e contínua, o que é típico da escrita de romances.
UFSC2026Prova 2Questao 6HistóriaRússia: revoluções e União SoviéticaMedia
Sobre a história da Rússia, é correto afirmar que:
  1. 01)as perdas militares do país durante a Primeira Guerra Mundial, associadas à inflação, ao desemprego e à falta de alimento, contribuíram para manifestações contra o czar, que culminaram com o processo revolucionário de 1917.
  2. 02)durante a Primavera de Praga, a União Soviética apoiou um conjunto de reformas democráticas propostas por Alexander Dubcek em 1968.
  3. 04)a Crimeia, antigo território russo cujo controle foi transferido para a Ucrânia em 1954, foi incorporada novamente pela Rússia em 2014.
  4. 08)em 2025, completam-se 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, quando os soviéticos tiveram papel central na vitória dos Aliados sobre o Eixo com a descoberta do campo de concentração de Auschwitz e a conquista de Berlim em 1945.
  5. 16)durante o processo revolucionário, o país foi tomado por uma guerra civil entre dois grupos comunistas: os vermelhos, liderados por Stálin, e os brancos, liderados por Trótsky.
  6. 32)por viverem em um país de origens rurais e conservadoras, as mulheres russas não participaram diretamente nas batalhas da Segunda Guerra Mundial, restringindo-se às enfermarias e às cozinhas das tropas.
  7. 64)a guerra entre União Soviética e Afeganistão é considerada a última da Guerra Fria, marcada pela derrota dos soviéticos por meio do apoio dos Estados Unidos aos resistentes afegãos, entre os quais estava Osama Bin Laden.
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